Correio do Brasil
“A derrubada do ditador Hosni Mubarak, na véspera, tem causado um vendaval no Oriente Médio. As repercussões vão desde a possível realização de eleições gerais na Palestina até as manifestações pelo fim do regime instalado há décadas na Argélia e controlado, atualmente, por Abdelaziz Bouteflika. Manifestações por todo o país resultaram, segundo correspondentes das agências de notícias em Argel, na prisão de cerca de 500 pessoas e na repressão a manifestações realizadas na capital e nas principais cidades daquele país, no Norte da África.
Na palestina, nesta tarde, a Organização pela Libertação da Palestina (OLP) anunciou que o país deverá realizar eleições gerais em setembro deste ano, aparentemente em resposta aos ventos de democracia que sopraram na Tunísia, o Egito e agora chega à Argélia. Ainda neste sábado, Saeb Erekat, negociador-chefe do processo de paz entre a Palestina e Israel, falou aos jornalistas após apresentar seu pedido de demissão do cargo, prontamente aceita pelo líder Mahmoud Abbas. Um subcomitê formado logo após a decisão de Erekat ficou encarregado de encontrar o sucessor capaz de resatruturar as negociações com o país vizinho.
A Palestina não realiza eleições desde 2006, quando o grupo radical Hamas conquistou a maioria do Parlamento, após um ano e meio de guerra civil, encerrada em 2007. Desde então, o Hamas tem governado Gaza e o Fatah, partido da OLP, controla West Bank. O Hamas, no entanto, parece discordar da ideia. Os termos do anúncio de eleições gerais, divulgados neste sábado, dizem:
“Apelamos a todas as partes a deixar de lado suas reservas e discordâncias. Vamos trabalhar juntos para realizar eleições e respeitar a vontade do povo palestino. Como as diferenças e divergências, quer em questões políticas ou de segurança, acreditamos que esses problemas poderiam ser resolvidos com a renovação da Assembleia Legislativa”.
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