Congresso ouve Executivo para definir pauta

“Vencida a batalha do salário mínimo na Câmara, líderes governistas tentam estabelecer agenda prioritária de votações, que pode incluir nova CPMF e correção da tabela do Imposto de Renda. Governo promete “relação diferente” com aliados

Eduardo Militão e Renata Camargo, Congresso em Foco

Passada a disputa pelo novo valor do salário mínimo na Câmara, o Palácio do Planalto começa a definir suas prioridades para o Congresso neste ano. Amanhã (21) e terça-feira (22), o governo e seus aliados no Legislativo dão os seus primeiros passos na definição das matérias de maior interesse nos próximos meses. A discussão pode incluir na pauta de temas que têm tudo para criar novas batalhas no Parlamento, como a correção da tabela do Imposto de Renda, a regulamentação da lei que prevê mais recursos para a saúde, a criação de um tributo no lugar da extinta CPMF e as reformas política e tributária.

A aparente maioria para aprovar o que bem entender na Câmara e no Senado faz com que os desejos do Executivo pareçam mais fáceis de se concretizarem do que as prioridades apontadas pelos próprios parlamentares. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), no entanto, afirma que a idéia é estabelecer de agora em diante uma “relação diferente”. "As prioridades da base não serão definidas apenas pelo governo, mas junto com os partidos aliados", diz o petista.

Segundo Vaccarezza, os partidos da base pretendem realizar toda semana uma reunião na Casa de um dos líderes partidários para definir quais serão as matérias mais relevantes na avaliação dos aliados. Nesta semana, a reunião será realizada na casa do líder do PTB, Jovair Arantes (GO). “Estabelecemos uma relação diferente. Estamos consultando a base, tendo ideia do que é prioritário”, disse.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), indica que as relações com o Planalto continuarão estreitas. Segundo Jucá, nesta semana ele deve se reunir com ministros da coordenação política para ouvir as demandas. O líder governista acredita que as prioridades do governo para o Congresso serão mais bem definidas após passarem as votações do salário mínimo. O projeto do reajuste do mínimo em R$ 545 já foi aprovado na Câmara e dever ser votado no Senado na próxima quarta-feira (23).”
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