Cristina anunciará novas medidas contra 'Clarín' e 'La Nación'

“Presidente tenta retirar a participação dos diários na principal fábrica de papel de jornal da Argentina

Ariel Palácios, O Estado de S.Paulo

A presidente argentina, Cristina Kirchner, anunciará hoje uma nova ofensiva na Justiça contra os jornais Clarín e La Nación, para remover destas empresas sua participação na Papel Prensa, a principal fábrica de papel de jornal do país.

O anúncio será feito no final da tarde no palácio presidencial, em meio às críticas da oposição e de organismos internacionais de defesa da liberdade de imprensa - como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR),
Paralelamente, além da área de papel, o governo também pretende retirar o Grupo Clarín do setor da internet. Alejandro Aguirre, presidente da SIP, declarou que o governo Kirchner "está buscando um meio de controlar os meios de comunicação independentes do país".

A estratégia do governo será mostrar que o Clarín e o La Nación - além do extinto jornal La Razón - adquiriram a Papel Prensa no início da ditadura militar, em 1976, após os donos da fábrica serem torturados.

Antes da venda, 75% da empresa pertencia à família Graiver e 25% ao Estado argentino. Atualmente, a empresa é controlada pelo Clarín, que possui 49% das ações; o Estado é dono de 27,46%; e o jornal La Nación, 22,49%. O 1,05% restante está nas mãos de pequenos investidores.

Se a operação de venda feita em 1976 for cancelada, Lidia Papaleo - viúva do último proprietário da Papel Prensa, o banqueiro David Graiver (suposto financiador do grupo guerrilheiro Montoneros nos anos 70) - teria direito de pleitear na Justiça a posse da empresa.”
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