Paz cada vez mais distante

Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação

"Quando esta reflexão começar a ser lida, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva já estará em Israel iniciando um giro pela região, que ainda abrangerá o território palestino e a Jordânia. Mais tarde, em maio, Lula visitará o Irã, onde se encontrará com o polêmico Mahmoud Ahamadinejad. Ou seja, o presidente brasileiro dialoga com gregos e troianos e foi considerado pelo jornal israelense Haaretz como “profeta do diálogo”.

Naturalmente, tudo isso desagradará profundamente a oposição brasileira sem bandeiras, que não se cansa agora em criticar Lula pelo posicionamento em relação ao novo grevista de fome cubano.

Em Israel, não será surpresa se Lula for hostilizado por fundamentalistas judeus que nunca tiraram da cabeça o sonho bíblico de formar a “grande pátria”, ocupando territórios palestinos. Aliás, toda vez que se começa a falar em negociações de paz, o governo israelense, atualmente sob o comando do troglodita político Benyamin Netanyahu, autoriza a construção de mais colônias em área palestina, como agora com as residências em terras da Cisjordânia anexadas a Jerusalém.

Não deu outra, quando o vice-presidente estadunidense Joseph Biden, um aliado incondicional, estava visitando Israel e um dia depois de a Autoridade Palestina apoiar a reabertura de negociações foi autorizada a construção ilegal das casas para colonos judeus na Cisjordânia. A grossura que confirma o caráter troglodita de Netanyahu e seus pares valeu até uma reprimenda da Secretária de Estado Hillary Clinton, algo raro de acontecer.

Uma coisa é certa, se não forem desmantelados os assentamentos construídos em terras palestinas, qualquer possibilidade de negociação será muito difícil ou mesmo impossível. Fica muito claro também que o governo extremista de Israel prefere o confronto a ter que fazer concessões.”
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