Não deu no Jornal Nacional: Maluf e Tuma denunciados por ocultação de cadáver

“MP responsabiliza deputado e senador por desaparecidos enterrados como indigentes em cemitérios de São Paulo

Rodolfo Torres, Congresso em Foco

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta quinta-feira (26) à Justiça Federal o deputado Paulo Maluf (PP-SP) e o senador Romeu Tuma (PTB-SP) por ocultação de cadáveres de opositores da ditadura militar (1964-1985) nos cemitérios de Perus e Vila Formosa (localizados na capital paulista). Na década de 80, corpos de desaparecidos durante o regime militar foram encontrados em valas de indigentes nesses cemitérios. (confira a íntegra da ação civil pública)

Maluf foi prefeito de São Paulo entre 1969 e 1971. Por sua vez, Tuma foi chefe do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops) entre 1966 e 1983.

A ação destaca que Maluf “foi o primeiro prefeito de São Paulo sob a vigência do Ato Institucional nº 5, de 1968, que caracterizou o início da fase mais violenta da repressão à dissidência política”.

Em seu mandato, afirma o MPF, o Cemitério de Perus “contendo o projeto de forno crematório destinado a indigentes, foi construído e inaugurado”.

“É possível afirmar, portanto, que Paulo Maluf contribuiu – na condição de prefeito – para a destinação do Cemitério de Perus ao sepultamento clandestino de dissidentes políticos da ditadura, como parte do projeto de governo autoritário do qual tomava parte.”
Em relação a Tuma, os procuradores afirmam que ele, apesar de ser delegado, “atuou também sob as ordens do Exército”. "Os Dops serviram, desde então, a formalizar as prisões ilegais e violentas que, depois de diversos interrogatórios, em regra sob tortura, dariam ensejo a processo penal militar.”
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