Haroldo Ceravolo Sereza, UOL“Sorria: você viu um saci.
De um ano para cá, mais ou menos, a criatura mítica do folclore brasileiro passou a fazer aparições na cidade de São Paulo.
Como escreve o autor da travessura, o grafiteiro Thiago Vaz, "É o Saci Urbano!".
"Isso é muito político, porque o Saci vem representar, no meio urbano, o pobre sofredor brasileiro", diz Vaz. O grafiteiro explica que gosta de fazer suas intervenções onde sabe que o personagem pode desaparecer: como a arte de rua, o Saci Urbano é efêmero.
O Saci Urbano, assim, não é apenas uma brincadeira. Em muitos deles, há uma crítica política, que pode ser expressa ou refinada. Durante uma batida policial, por exemplo, vem o aviso: "Quem for negro levanta a mão!" O saci, em vez de levantar uma, como se fosse uma chamada numa sala de aula, levanta as duas, como quem leva uma geral.
Por vezes, essa crítica é menos explícita, mas não necessariamente menos contundente. Na parece de um supermercado, ele conduz um carrinho de compras. Dentro do carrinho, um peixe, como se fosse um aquário: "É o Saci consumista".
Na beira de um rio poluído, o Tamanduateí, o Saci tentava pescar; sintomaticamente, ele já foi apagado da pilastra que sustenta do corredor de ônibus do Expresso Tiradentes. Perto da estação de trem, ele usa uma máscara cirúrgica, escondendo a cara e, ao mesmo tempo, protegendo-se da gripe suína.”
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