Líderes vacilam

Mair Pena Neto, Direto da Redação

“Os presidentes dos 12 países que compõem a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) vacilaram ao não se manifestarem contra a utilização de bases militares colombianas pelos Estados Unidos, na reunião que mantiveram em Quito esta semana. Podiam até evitar o termo condenação, mas deveriam incluir na declaração final um sentimento de apreensão e sugerir uma mudança de postura na relação dos EUA com a América do Sul.

No momento em que o continente reforça seus laços e avança para a construção de um Conselho de Defesa, se descobre, às vésperas da reunião dos líderes, que os EUA poderão, por acordo com a Colômbia, utilizar não uma, mas sete bases no território de um dos países mais conflagrados da região. O general Jim Jones Jr, assessor de segurança para a América Latina, fala candidamente que os EUA esqueceram de conversar com todos os governos antes de o assunto sair na imprensa.

A primeira conseqüência do acordo da Colômbia com os EUA é implodir o Conselho Sul-Americano de Defesa. A criação do órgão tem como premissa fortalecer a confiança mútua com base na integração e cooperação em matéria de defesa. Como isso vai se dar com bases americanas instaladas em um dos países do grupo e a desconfiança de suas reais intenções?

A presença dos EUA na região cresce militarmente e não na cooperação como prometia o presidente Barack Obama. Antes de sua chegada à Casa Branca, houve a reativação da Quarta Frota, que voltou a operar em águas latino-americanas após 60 anos. O argumento para a sua reativação foi semelhante ao utilizado agora para o compartilhamento das bases militares colombianas: melhorar a capacidade operativa no combate ao terrorismo e ao narcotráfico.”
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