Mauro Santayana, JB Online
“Dispõe-se o PMDB a contra-atacar, e denunciar ao Conselho de Ética, o senador Arthur Virgílio. O representante do Amazonas foi ligeiro e descuidado ao chefiar o movimento contra o presidente da Casa. Por mais que os fatos pudessem ampará-lo, não dispunha Sua Excelência das virtudes de Catão, o senador que, coerente em sua oposição ao Primeiro Triunvirato e, depois disso, a César, não hesitou em matar-se em Ústica, depois da derrota de Pompeu. Catão tentava, honradamente, servir à República que pereceria com César. Virgílio busca a sobrevivência política, depois da pesada derrota que lhe impôs o eleitorado amazonense, nas últimas eleições para o governo do estado.
Os que tomaram a iniciativa do contra-ataque se encontram também envolvidos em atos de difícil explicação. Transfere-se para o habitual espetáculo das comissões – nesse caso, a de Ética – o confronto entre os dois grupos. Neste momento, o senador Arthur Virgílio deve estar arrependido das acusações que dirigiu a Sarney: faltou-lhe, antes, reforçar o seu telhado. Ser-lhe-á difícil transformar em ato virtuoso a cortesia, com o dinheiro público, que fez a um de seus assessores, enviando-o a Paris, a fim de, em ano e meio, recensear as nuvens sobre o Sena. Mais difícil ainda será nos convencer de que é uma atitude republicana debitar ao Erário o elevado e inusitado custo do tratamento médico de sua mãe.
Falta-nos compreender que a representação parlamentar não é uma profissão, que deva ser excepcionalmente bem paga. Os subsídios parlamentares são indenizatórios, não remuneratórios. Indeniza-se o representante do povo o tempo que ele lhe dedica. O cidadão, contribuinte, paga a seu procurador. Essa compensação não pode ir além do que recomenda o bom senso. Na Grécia clássica, o misthos, ou o salário dos dirigentes, escolhidos por sorteio, ou eleitos, foi instituído a fim de evitar a corrupção dos pobres, que não tinham como cuidar de sua família enquanto deixavam suas ocupações a fim de servir à cidade. No contestado sistema soviético, os parlamentares – que se reuniam apenas dois ou três meses por ano – continuavam recebendo seus salários normais e tinham as despesas de transporte e hospedagem, em Moscou, ou nas capitais das repúblicas, pagas pelo Estado.”
Artigo Completo, ::Aqui::
“Dispõe-se o PMDB a contra-atacar, e denunciar ao Conselho de Ética, o senador Arthur Virgílio. O representante do Amazonas foi ligeiro e descuidado ao chefiar o movimento contra o presidente da Casa. Por mais que os fatos pudessem ampará-lo, não dispunha Sua Excelência das virtudes de Catão, o senador que, coerente em sua oposição ao Primeiro Triunvirato e, depois disso, a César, não hesitou em matar-se em Ústica, depois da derrota de Pompeu. Catão tentava, honradamente, servir à República que pereceria com César. Virgílio busca a sobrevivência política, depois da pesada derrota que lhe impôs o eleitorado amazonense, nas últimas eleições para o governo do estado.
Os que tomaram a iniciativa do contra-ataque se encontram também envolvidos em atos de difícil explicação. Transfere-se para o habitual espetáculo das comissões – nesse caso, a de Ética – o confronto entre os dois grupos. Neste momento, o senador Arthur Virgílio deve estar arrependido das acusações que dirigiu a Sarney: faltou-lhe, antes, reforçar o seu telhado. Ser-lhe-á difícil transformar em ato virtuoso a cortesia, com o dinheiro público, que fez a um de seus assessores, enviando-o a Paris, a fim de, em ano e meio, recensear as nuvens sobre o Sena. Mais difícil ainda será nos convencer de que é uma atitude republicana debitar ao Erário o elevado e inusitado custo do tratamento médico de sua mãe.
Falta-nos compreender que a representação parlamentar não é uma profissão, que deva ser excepcionalmente bem paga. Os subsídios parlamentares são indenizatórios, não remuneratórios. Indeniza-se o representante do povo o tempo que ele lhe dedica. O cidadão, contribuinte, paga a seu procurador. Essa compensação não pode ir além do que recomenda o bom senso. Na Grécia clássica, o misthos, ou o salário dos dirigentes, escolhidos por sorteio, ou eleitos, foi instituído a fim de evitar a corrupção dos pobres, que não tinham como cuidar de sua família enquanto deixavam suas ocupações a fim de servir à cidade. No contestado sistema soviético, os parlamentares – que se reuniam apenas dois ou três meses por ano – continuavam recebendo seus salários normais e tinham as despesas de transporte e hospedagem, em Moscou, ou nas capitais das repúblicas, pagas pelo Estado.”
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