Ciro para quebrar o antipetismo em SP?

A dificuldade do PT de romper com a rejeição da classe média paulista explica porque não soou absurdo para o presidente Lula e para parcelas petistas a hipótese da candidatura do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PSB), ao governo do estado, escreve Maria Inês Nassif* no Valor Econômico. Ela cita pesquisas, inclusive qualitativas, que estimulam a alternativa, mas registra que "o ponto de resistência para essas articulações é o próprio PT estadual". Veja a íntegra.

Maria Inês Nassif, Valor Econômico

"O PT de São Paulo não tem tradição de apoiar candidatos de partido alheio. Existem razões para isso. No período de construção do partido, lançar candidatos próprios era uma tática nacional para firmar-se no cenário institucional.

Isolamento de berço

O PT paulista não foi apenas o berço do partido, mas o centro de convergência das lideranças vindas do movimento sindical e dos grupos políticos que saíram da clandestinidade no final da ditadura defendendo a tese de unidade das esquerdas num partido socialista de massas. "Hegemônico" em relação ao resto do partido, o partido em São Paulo não apenas incorporou a tática de candidaturas próprias às eleições majoritárias, como fez delas o instrumento para projetar líderes paulistas no cenário nacional. Se isso definiu derrotas eleitorais, de outro lado construiu lideranças importantes, como a do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tática do isolamento prevaleceu desde então no estado, mesmo quando as lideranças paulistas guindadas à direção nacional articulavam a ampliação do "arco de alianças" para viabilizar a candidatura de Lula à Presidência nas eleições de 2002 - e até porque sempre foram grandes as dificuldades de composição com o PMDB, partido que teria o poder de desequilibrar uma eleição a seu favor.

O isolamento apenas não foi definitivo porque no estado - como, aliás, em todo o país - os pequenos partidos de esquerda dependiam fundamentalmente do PT para sobreviver. PSB e PCdoB não teriam feito bancadas federais, não fossem as coligações nas eleições proporcionais feitas com o PT, que garantiram aos aliados o cumprimento do quociente eleitoral e a eleição de parlamentares na carona da proporcionalidade dos votos recebidos pela coligação, a maior parte deles petistas.”
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