Questões que ficam no ar

Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação

"O mundo inteiro continua sob o impacto da tragédia com o airbus da Air France e lamentando a perda de tantas vidas. Embora com certo constrangimento, há uma pergunta que não quer calar: o que estava fazendo no vôo Marcelo Parente, chefe de gabinete do Prefeito do Rio de Janeiro?

As informações iniciais eram de que o chefe de gabinete de Eduardo Paes realizava uma viagem particular, em seguida se informou que estava de férias, isso depois de menos de seis meses ocupando o cargo. Convenhamos, numa cidade com os problemas do Rio de Janeiro, seis meses é muito pouco tempo para um chefe de gabinete do Executivo municipal tirar férias.

Algum funcionário da Prefeitura é autorizado a viajar para resolver problemas particulares ou tirar férias na Europa com seis meses de trabalho?

Ainda em relação ao trágico acidente aéreo, o Ministro Nelson Jobim foi o responsável por um dos maiores micos dos últimos tempos por sua declarações precipitadas sobre o óleo no oceano que não era do airbus da Air France e as peças que não eram do avião sinistrado. Se fosse em outro país, possivelmente o Ministro da Defesa teria sido demitido sumariamente por seu açodamento e deslumbramento por aparecer nos noticiários das TVs. Mas, o que se pode esperar de um Ministro que veste traje de campanha durante exercício militar sendo ele um civil?

Outro fato que não deve passar em brancas nuvens é o da abertura da um Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar supostas denúncias sobre contratos da Petrobrás. Na política brasileira tudo pode acontecer, até mesmo o PSDB-Dem (PFL) tentar se apresentar como defensores da Petrobras.

Na verdade, os dirigentes dos dois partidos jogam com a falta de memória e o silêncio complacente da mídia hegemônica. Se a imprensa deixasse de ser aparelho ideológico do capital, os jornalões acionariam seus departamentos de pesquisa para lembrar que se houve tentativas no sentido de enfraquecer a estatal petrolífera isso aconteceu nos dois governos de FHC e até antes quando o príncipe sociólogo ocupava o cargo de Ministro da Fazenda.”
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