O golpe em Honduras - e agora Obama? A democracia como fica?

Laerte Braga, Adital

“Militares se atribuem o monopólio do "patriotismo". De um modo geral transformam as forças armadas em estamento, ou seja, uma "instituição" à parte do todo. Julgam-se com o direito de definir o destino de seus países - a maioria esmagadora -. Estabelecem limites para governo, enchem-se de privilégios e subordinam-se a interesses de grupos econômicos. Esse o xis da questão.

O golpe de 1964 no Brasil não foi diferente. Um grupo de militares de extrema-direita apossou-se do poder, violou todas as normas constitucionais, chamou a aventura de "revolução", prendeu, torturou, matou e exilou milhares de brasileiros, inclusive militares legalistas comprometidos com a Nação e não com empresas ou bancos, ou latifundiários.

O presidente de Honduras Manuel Zelaya foi preso por volta das nove horas da manhã, hora de Brasília, por militares de seu país e levado para uma base da força aérea - eles têm essa mania, dividem a quadrilha em setores -. Os militares cumprem o que lhe foi determinado pelo capital. Empresas nacionais, internacionais - principalmente -, bancos e latifundiários.

Não concordaram com a realização de um referendo popular para decidir sobre a necessidade, o desejo ou não de reformas constitucionais no país. O presidente queria ouvir a opinião dos hondurenhos. Empresários, latifundiários, banqueiros, sob a batuta do embaixador dos Estados Unidos e um congresso e uma corte suprema padrão Gilmar Mendes/José Sarney não aceitaram.

Honduras é um pequeno país da América Central governado historicamente pelas elites e por militares (que as representam) e sob absoluto domínio econômico e político dos interesses dos EUA.”
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