A mídia e a agenda da democratização do poder político

As experiências argentina e brasileira mostram que a mídia entrou, definitivamente, na agenda de debates sobre a democratização de nossas sociedades. “Independente da vontade da grande mídia, ela está em discussão e isso não ocorre à toa”, observou Venício Lima, jornalista, sociólogo e fundador e primeiro coordenador do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília (UnB), durante o debate promovido sexta-feira à noite pela Carta Maior.

Clarissa Pont e Marico Aurélio Weissheimer, Carta Maior

No dia 16 de abril de 1971, Ivan Seixas foi preso pela Operação Bandeirantes, em São Paulo, aos 16 anos de idade, junto com seu pai, o metalúrgico Joaquim Seixas, militante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). Os dois foram torturados por agentes da Operação Bandeirantes (Oban) e Joaquim foi assassinado no dia seguinte. Ivan hoje é jornalista e coordenador do primeiro fórum de presos e perseguidos políticos, além de membro da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Ele, Laurindo Leal Filho, Venício Lima, Luis Nassif e Antonio Roberto Espinosa estiveram juntos na noite de sexta-feira, em São Paulo, em um debate promovido pela Carta Maior e transmitido ao vivo pela TV Carta Maior.

O tema geral do debate foi a atuação da mídia brasileira na cobertura da vida política, social e econômica do país. Mas o debate não se limitou ao caso brasileiro. Professor da Universidade de Buenos Aires, Damian Loreti trouxe a experiência Argentina sobre o tema, relatando uma realidade muito semelhante à brasileira no que diz respeito ao estado das artes da mídia. No início do encontro, as relações entre mídia e ditadura dominaram o debate. Relações estas que ecoam até os dias de hoje.

Ivan Seixas contou um pouco de sua história: “Eu era militante dessa organização, era guerrilheiro. Não estamos falando aqui de talvez, vamos deixar claro. Nessa condição de militante de uma organização clandestina de luta armada contra a ditadura que eu fui preso com o meu pai, mecânico de 49 anos. Nossa casa, que também era um aparelho da revolução, foi invadida e saqueada. Eles invadiram e roubaram absolutamente tudo. Vi capitão e sargento com sapato e roupas nossas, com o relógio do meu pai. Prenderam também minha mãe e minhas duas irmãs. Elas foram colocadas numa sala próxima e ouviram todo processo de tortura”.
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