Coisas da Política - O imponderável ficou maior

Rodrigo de Almeida, JB Online

“Os prazos são razoáveis, a descoberta se deu no estágio mais inicial do linfoma, as chances de cura parecem grandes e a fortaleza com a qual habitualmente se cerca e se move dão à ministra Dilma Rousseff credenciais suficientes para se manter no jogo – como a forte chefe da Casa Civil, a líder do principal programa de desenvolvimento econômico do governo e candidata a candidata em 2010. Mesmo assim, está-se inegavelmente diante de uma bomba gigantesca.

(Houve quem classificasse a notícia do sábado como um terremoto).
É delicado tratar de assuntos de saúde no mundo político, mas este caso se revela especial: Dilma é a principal ministra e a preferida do presidente Lula para disputar sua sucessão pelo PT. Sua saúde, portanto, entrará na equação política daqui para frente. Não seria diferente em qualquer país do mundo. Eis por que o tema foi tratado no sábado como assunto de Estado, com uma admissão serena e exemplar da doença e do tratamento, por Dilma, ao lado do ministro Franklin Martins (Comunicação Social).

Os males que temos, no corpo e na alma, têm de ser combatidos. Os tumores, lancetados. Os medos, vencidos. Merecem, pois, a solidariedade e a torcida da família, dos amigos, dos aliados mais próximos, dos adversários mais distantes e mesmo de quem, com alguma sensibilidade, não parece preocupado com os rumos do atual governo e da sucessão presidencial do ano que vem.

Este é um lado da moeda: a aposta individual de Dilma na cura do câncer que a abate. No outro lado, a aposta dupla, a conjugação de esforços – pessoais e partidários – tanto na tarefa da cura quanto na manutenção de sua condição de primeira-ministra-candidata. É aí onde doença, presente e futuro políticos vão misturar-se ainda mais. Nenhuma dúvida sobre qual lado ela escolheu.”
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