"Precisamos manter a economia aquecida"

“Há seis anos como vice-líder e líder do governo no Senado, o senador Romero Jucá, 54 anos, espera ser novamente convidado para continuar no posto, no início de 2009, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Prevê que no próximo ano são temas prioritários no Congresso Nacional a apreciação das reformas tributária e política. Para 2009, porém, Jucá rejeita qualquer medida ou projeto que envolva a suspensão temporária e flexibilização de direitos trabalhistas em razão dos efeitos da crise financeira internacional no País. "O que é preciso fazer é manter o aquecimento da economia", defendeu ele, em entrevista exclusiva ao DCI. Como exemplo, citou os R$ 14,2 bilhões que serão injetados por meio de medida provisória no recém-criado Fundo Soberano do Brasil, que financiará projetos empresariais no exterior.

Nas eleições para a presidência do Senado, Jucá vai acompanhar o partido, que tem como candidato confirmado o atual presidente da Casa, Garibaldi Alves (RN), e como candidato potencial o ex-presidente José Sarney (AP). Mas ele prefere pregar o equilíbrio da base aliada do governo no Congresso. Um dos motivos é o fato de que provavelmente o PMDB indicará o vice na chapa do governo à sucessão de Lula.

Como líder do governo, ex-governador de Roraima e ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Jucá disse que a existência de extensas áreas indígenas em seu estado deve passar a ser visto como algo positivo. Defende a participação dos índios no desenvolvimento. "É preciso acabar com essa celeuma, essa briga, deve haver responsabilidade com o modelo de desenvolvimento adotado. É transformar isso em fato positivo, transformar limão em limonada". Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

DCI: Como o senhor avalia as sugestões de flexibilização e suspensão temporária de direitos trabalhistas em razão da crise econômica internacional?

Romero Jucá: É uma crise muito maior do que a de 1929, principalmente por causa de todas as comunicações que tem o mercado globalizado. O Brasil está fazendo um esforço grande para, por exemplo, continuar oferecendo crédito como mecanismo de proteção. O presidente Lula tem agido prontamente, respondendo com intervenções adequadas na economia. Por isso, acho que não é hora de discutir flexibilização de direitos trabalhistas. O momento é para se discutir o esforço do emprego. Senão vamos ter essa flexibilização permanentemente. O governo está oferecendo crédito subsidiado, apoio financeiro dos bancos públicos, enfim, para que se tenha mais estabilidade no emprego. É preciso encarar com parcimônia essas propostas de suspensão de direitos trabalhistas.”
Abnor Gondim, DCI
Entrevista Completa, ::Aqui::

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