O que falta para virar a página?

“O perdão do Estado brasileiro a Jango através da Comissão de Anistia não significa, vale sempre repetir, uma virada total de página da ditadura. Falta ainda o Brasil cumprir compromissos firmados em fóruns internacionais, como o assumido na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sobre o julgamento de crimes imprescritíveis, como foram as torturas e assassinatos de presos políticos no final dos anos 60 e década de 70.

Não se trata de revanchismo, como insinuam alguns setores comprometidos com o período ditatorial. É uma questão não só de justiça, como também uma forma de evitar a repetição desses crimes. A impunidade leva a isso.

Se olharmos o que se passa nos países do Cone Sul na área de direitos humanos neste momento vamos constatar que o Brasil é o único onde ainda continua a prevalecer a impunidade. E não adianta o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, abrir o bico ameaçadoramente para dizer que a lei da anistia em vigor perdoou opositores, torturadores e todo mundo. No caso brasileiro ainda há um agravante: torturadores, civis e militares, nem julgados foram.”
Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação
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