Defesa de Dantas usa discursos do STF e da PF

“A alegação final do banqueiro Daniel Dantas na ação penal que investiga oferecimento de suborno aos delegados que conduziam a Operação Satiagraha recorreu a discursos de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e a brigas da Polícia Federal para tentar desqualificar o delegado Protógenes Queiroz e invalidar todo o inquérito policial que deu origem ao processo.

As alegações são a última manifestação da defesa antes da decisão do juiz federal Fausto Martin De Sanctis, sem data para ocorrer. Assinada pelo advogado Nélio Machado, a peça tem 289 páginas. Dois terços foram dedicados a apontar supostas irregularidades da fase do inquérito. Ao final, pediu a nulidade do processo e o encerramento da ação.

Em julho, Dantas foi preso sob acusação de ter ordenado a oferta de US$ 1 milhão para o delegado Victor Hugo Ferreira, que atuava na Satiagraha, em troca da exclusão do nome do banqueiro e de parentes do rol de investigados. Queria ainda que os policiais se voltassem contra um de seus desafetos, o empresário Luís Roberto Demarco. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, os emissários de Dantas foram o professor Hugo Chicaroni e Humberto Braz, executivo ligado ao grupo Opportunity.

Ao cumprir ordem judicial na casa de Chicaroni, a PF encontrou R$ 850 mil que seriam usados para o suborno.

Na defesa, Nélio Machado reservou cerca de 12 páginas para reproduzir os discursos dos ministros do STF que atacaram o processo e o juiz De Sanctis durante o julgamento, no último dia 6, de um habeas corpus concedido ao banqueiro pelo presidente do STF, Gilmar Mendes.”
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