“Guardo na lembrança o caso de um evento realizado aqui em Salvador. Tudo indica que o repórter tenha sido instruído a desfazer do acontecido, botar defeito, salientar adjetivos negativos. Veio o editor e tascou-lhe uma manchete acachapante - "quase ninguém compareceu à praça..."
Porém, o destino queria cunhar um exemplo engraçado dessa falsa liberdade de imprensa. Por algum descuido inexplicável, colocaram como ilustração uma foto do evento, mostrando milhares de pessoas presentes e desmascarando a farsa. Ficou parecendo uma matéria de cunho surrealista, onde o texto e a imagem se degladiavam sem parar.
Mas, mesmo assim, não houve qualquer comentário sobre o assunto. Ninguém se interessou em reclamar ou mesmo registrar o que havia acontecido. Normal!
Será que as pessoas estão simplesmente acostumadas com essa distorção diária da realidade? Devemos conviver e aceitar a noção de liberdade de imprensa como sendo o somatório de visões caolhas e interesseiras, produzindo supostamente uma força resultante benéfica para a sociedade?”
Paulo Costa Lima, Terra Magazine
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