“Sou um entusiasta da internet. O seu papel no mundo de hoje, como ferramenta de comunicação e de difusão de conhecimento e informação é inestimável e muitos de nós já não podemos conceber viver sem ela. Não faço parte das primeiras gerações de internautas. Foi só em 1998, quando a internet no Brasil já contava três ou quatro anos de idade, que, aproveitando uma oportuna atualização no meu computador ― até então um 486 com Windows 3.1, adquirido em 1994 ―, decidi aderir à rede, por meio do antigo provedor Openlink. Confesso que minha adaptação às facilidades da internet se deu aos poucos, mesmo porque, dez anos atrás, o mundo virtual era ainda modesto e não oferecia as incontáveis possibilidades verificadas nos dias atuais.
Com o passar do tempo, fui descobrindo um fascinante novo canal de contato com o mundo, que fez com que os meus horizontes se alargassem de uma forma impressionante. Graças à internet, conheci pessoas que dificilmente conheceria de outra maneira e encontrei uma intensa vida intelectual fora do circuito tradicional da imprensa e da mídia, sem contar o fato de que as pesquisas que faço regularmente por conta da redação dos meus romances foram bastante facilitadas. No entanto, um dos maiores impactos que a internet me proporcionou talvez tenha sido a defrontação dura e definitiva com a realidade e, conseqüentemente, a perda de todos os resquícios de ilusão e romantismo que ainda lutavam para sobreviver dentro de mim.”
Luis Eduardo Matta, Digestivo Cultural
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