“Elas e eles tinham jogado a toalha depois de uma derrota acachapante, dessas que nós não esquecemos tão cedo. Aconteceu em junho deste ano, no segundo mês da greve dos professores. Reunidas em uma sala, além de mim havia dezesseis pessoas – treze professoras e três professores da rede pública estadual. A discussão girava em torno do desgaste político do governo que não aceitava conversar, muito menos atender às reivindicações salariais da categoria. Eu era o único não professor, limitava-me a ouvir o desfile de argumentos, até que lá pelas tantas me dirigi ao grupo:
- Ouçam! Por favor, ouçam! Posso lhes fazer uma pergunta? – Em uníssono eles me responderam:
- Claro!
- Quem entre vocês tem filhos estudando na escola privada?
Que goleada. Doze a quatro. Apenas quatro resistentes mantinham seus filhos na escola onde atuavam. Senti que, para se contrapor esse resultado desanimador, seria necessário bem mais que retórica política.”
João Alberto Capiberibe, Fazendo Media
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