“A irresponsabilidade conservadora é tamanha no Brasil que num momento desses chega a pedir, na imprensa, que o Brasil isole a Venezuela, impedindo-a de entrar no Mercosul. Até mesmo do ponto de vista conservador isso é suicídio puro, ameaçando levar o continente a uma corrida armamentista.
Lá pelos idos da posse de Evo Morales na Bolívia, quando o então recém empossado presidente cumpriu promessa eleitoral de nacionalizar (com inteira justiça) a política do petróleo e derivados, começou o canto das sereias conservadoras sobre o propalado “fracasso” da política externa brasileira no continente.
Brandiu-se a acha do nacionalismo capenga de “defender os interesses nacionais”. Capenga porque de um pé só: os mesmos e as mesmas que exigiram a “dureza” de Brasília para com La Paz defenderam ardorosamente a “moleza” nas relações com as grandes empresas sediadas na Europa e nos Estados Unidos.
Na imprensa conservadora brasileira a tendência hegemônica é provinciana, paroquial, colonizada e anacrônica. Tudo o que lembra América Latina ou América do Sul provoca irisipela na maioria dos comentaristas, a não ser para lembrar que o Chile – que disfarçadamente aparece nesta visão como o “menos índio” de todos os nossos vizinhos – é melhor do que o Brasil... de Lula, naturalmente.”
Flávio Aguiar, Carta Maior
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