“A análise financeira nas contas bancárias dos envolvidos no tucanoduto, citada no relatório apresentado pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando, ao Supremo Tribunal Federal (STF) revela que o dinheiro desviado dos cofres do Estado de Minas Gerais pelo então governador e atual senador Eduardo Azeredo (PSDB) alimentou não só o caixa 2 de sua campanha frustrada à reeleição em 1998, como já era notório, mas também o caixa 1.
Antônio Fernando, que denunciou Azeredo por peculato e lavagem de dinheiro, destacou que “no curso das análises referentes às quebras de sigilo bancário, localizamos, nos dados magnéticos encaminhados pelo banco Bradesco, transação bancária, ocorrida em 21/10/1998, que teve por beneficiário o atual senador Eduardo Azeredo, no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), depositados na Caixa Econômica Federal”.
O depósito foi feito pela empresa Carbo, de propriedade do então candidato a vice-governador na chapa de Azeredo, Clésio Andrade, um dos sócios da SMP&B. O procurador assinalou que Clésio recebeu via Carbo dinheiro desviado do Estado e depois repassou parte do recurso para Azeredo. “Ele tinha ciência que recursos públicos alimentavam a engenharia delituosa”, afirma Antônio Fernando, ressaltando que “contudo, Clésio Andrade, por meio da Carbo, além de receber recursos do esquema, repassou, no dia 21 de outubro de 1998, R$ 200.000,00 para a conta bancária da campanha eleitoral, em nome de Eduardo Azeredo”.
Alessandro Rodrigues, Hora do Povo
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