Enchentes em Santa Catarina

"Blogs apostam nos serviços e a mídia convencional na performance

A imagem de Ana Maria Braga vestindo um uniforme camuflado ao apresentar, na sexta-feira (28/11), seu programa desde Blumenau, não foi apenas um escorregão de mau gosto dos produtores do Mais Você. No meio de toda esta tragédia, ficou claro mais uma vez, que a mídia convencional não consegue livrar-se da obsessão pelo espetáculo.

Preocupação similar mostrou o repórter José Luiz Datena, da Rede Bandeirantes, que estava mais preocupado em destacar a ação dos helicópteros da FAB na ajuda aos desabrigados do que com as histórias dos desabrigados. Datena chegou ao absurdo de classificar como "linda" a cena de uma mulher grávida sendo carregada para um helicóptero militar.

O repórter da Bandeirantes, que chegou às zonas inundadas bem antes das estrelas da TV Globo, estava obviamente pagando o favor da FAB que o transportou nos helicópteros de ajuda. Mas ele não perderia nada se fosse menos exagerado nos agradecimentos, que acabaram ocupando o lugar daquilo que era o essencial na cobertura: a informação

Os deslizes e escorregões de repórteres durante coberturas de grandes tragédias são inevitáveis, dada a tensão e a emoção envolvidas no trabalho dos jornalistas. Mas os erros servem também para mostrar o tipo de cultura e de valores que orienta o comportamento dos repórteres e apresentadores.”
Carlos Castilho, Código Aberto / Observatório da Imprensa
Artigo Completo, ::Aqui::

Comentários

Lelo disse…
Olá Nogueira Jr., infelizmente para se alcançar mais audiência as emissoras e seus apresentadores fazem qualquer coisa. Na busca desesperada pelo furo de reportagem, ou "abordar o fato de uma maneira original", esquecem-se do principal: o ser humano, a vítima. Além de não ético, peca pela apelação. Mas lhe lanço uma pergunta: porque tem tanta gente assistindo tragédias (como no caso Eloá (pobre garota, pobre família)? Infelizmente Nogueira Jr. é assim, se fizéssemos (nós os expectadores) um boicote à programas sensacionalistas, garanto-lhe que as emissoras teriam que rever o seu "modus operandi" na abordagem de temas delicados nos quais se envolvem coisas mais importantes do que a notícia em si: vidas humanas!
Obrigado por permitir desabafar aqui em seu blog, algo que vem, há tanto tempo, "entalado" em minha garganta.
Abraços