“Com câmera oculta, comitê de Alckmin flagrou entrega de presentes a participantes de "qualitativas" abordados em rua do centro da cidadeDuas empresas que fazem o marketing da campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM), encarregadas de fazer pesquisas qualitativas, têm abordado eleitores no centro de São Paulo com a promessa de distribuição de brindes.
Os eleitores são encaminhados a um escritório na rua Araújo, perto da praça da República, onde assistem a vídeos de campanha -incluindo um inédito no horário eleitoral da TV, com ataques à candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Ao final, eles recebem um porta-retratos.
A lei 11.300/2006 proíbe a distribuição de prêmios e brindes a eleitores. As empresas APPM e Network reconheceram a entrega do presente, mas alegam que a prática "é normal" e não fere a lei. Elas afirmam que se trata de uma pesquisa qualitativa, na qual avaliam a recepção do eleitor à propaganda eleitoral da televisão.
Em média, as equipes entrevistam cem eleitores por dia em três locais diferentes.
Um vídeo gravado com a câmera escondida por um funcionário da campanha de Alckmin, obtido pela Folha, confirmou a entrega do brinde. No vídeo, de 22 minutos, a pesquisadora aborda o "eleitor" com prancheta na mão e indaga se ele aprova ou não a administração de Kassab. Após uma primeira hesitação, a pesquisadora associa resposta positiva do "eleitor" à entrega do brinde.
"Só tem que aprovar a gestão dele [Kassab], porque você tem que ver uma propaganda dele. Você ganha um brinde", diz a pesquisadora. Ela então acompanhou o cinegrafista até o escritório na rua Araújo, que tem cinco atendentes. Pouco antes, a funcionária recomendou: "Mas tem que aprovar a administração do homem [Kassab].
No escritório, ele teve de assistir a vídeos de propaganda eleitoral contra e a favor de Kassab. Um dos filmetes que contém críticas a Alckmin nunca foi divulgado na TV. O narrador diz que "Alckmin ataca Kassab por antigos apoios. Mas Kassab sempre foi leal aos tucanos". O vídeo afirma ainda que Alckmin "está com o apoio de [ex-prefeito Celso] Pitta e [ex-presidente da República Fernando] Collor". "Por que ele esconde tudo isto e ataca Kassab?", indaga o narrador.
O cinegrafista perguntou às atendentes quantos eleitores são ouvidos por dia naquele local. Calcularam 50 pessoas,
Rubens Valente, Folha de São Paulo
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