“Em entrevista publicada neste sábado (27) pela revista Época, o juiz federal Fausto de Sanctis aponta que foi pressionado pela desembargadora Suzana Camargo, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, para que mantivesse o banqueiro Daniel Dantas em liberdade.
O juiz federal Fausto de Sanctis estava agitado na tarde da quinta-feira. Ele acabara de prestar um depoimento de três horas à Polícia Federal sobre sua atuação na Operação Satiagraha, que investiga o banqueiro Daniel Dantas por crimes financeiros.
Em julho, De Sanctis mandou prender Dantas duas vezes. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, concedeu dois habeas corpus para soltá-lo.
Instalou-se uma crise no Judiciário, agravada por uma acusação da desembargadora Suzana Camargo, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
Ela disse à PF que ouviu de De Sanctis trechos de uma conversa telefônica de Gilmar gravada ilegalmente. De Sanctis nega ter dito isso à colega, afirma ter testemunhas da conversa e diz que ela tentou pressioná-lo para manter Dantas solto.
ÉPOCA – A desembargadora Suzana Camargo disse em depoimento à PF que ouviu do senhor o conteúdo de conversas gravadas ilegalmente envolvendo o presidente do STF, Gilmar Mendes. Isso aconteceu?
Fausto De Sanctis – Nunca soube da existência de grampo ilegal ou clandestino. Evidentemente, não determinei nenhuma interceptação telefônica ou telemática (de e-mail ou de dados digitais) do ministro Gilmar Mendes ou de seu gabinete, até porque não tenho tal competência. Também nunca recebi “informes” nesse sentido. As únicas interceptações telefônicas ou telemáticas por mim autorizadas tinham como alvo pessoas supostamente ligadas ao grupo Opportunity.
ÉPOCA – Mas o senhor conversou com a desembargadora?
De Sanctis – Sim, na tarde de 10 de julho. Ela telefonou, mas não pude atendê-la. Retornei depois sua ligação.”
Vermelho.org / Blog do Nassif
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