“Antônio escrevia cartas de amor, mas nunca as mandava para ela. Só mostrava aos colegas. Um dia me trouxe uma enorme, datilografada em espaço um
Houve um ano, acho que 1970, em que cheguei à conclusão de que se desenvolvia um plano para acabar com a qualidade do ensino nos cursos da Faculdade de Filosofia. Os vestibulares foram reduzidos aos chamados “testes objetivos”, aqueles de pôr cruzinhas nas respostas que a gente julga certas. Nenhuma redação, nenhuma pergunta que exigisse que o candidato escrevesse uma frase sequer. Era a festa do “chutômetro”. Entraram muitas figuras esquisitas.
Um deles era um cara com mania de hinos. Logo de cara foi perguntando qual era o hino da Geografia. Dissemos que não havia nada disso lá e ele compôs um, para apresentar na festa de recepção aos calouros. Uma coisa completamente surrealista. Começava com gritos “É geo, é geo, é geo, é geo, é geo É geografia” (pronunciando géo... grafia). Pegou apelido de Geogeo.
Outro foi um logo apelidado de Bíblico, que andava com a Bíblia debaixo do braço, tentando converter os outros (sofreu muitas gozações e desistiu logo de sua pregação).”
Mouzar Benedito, Revista do Brasil
Crônica Completa, ::Aqui::
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