A dialética da esperança

“Talvez seja sonhar demais, mas o mundo parece aproximar-se de nova mudança cultural e política. Não se trata de alguma coisa surpreendentemente nova, mas de retorno ao velho humanismo que dá sentido à vida. As grandes revoluções culturais, como a do século 5 a.C., na Grécia; a do Cristianismo, 500 anos depois; e a do Renascimento, milênio e meio mais tarde, sempre foram contidas. Os poderes predominantes em cada época adotam a linguagem revolucionária, aplicam-lhe conveniente torção semântica, e conservam o domínio sobre as comunidades políticas. Assim, os romanos se apoderaram do pensamento grego, mas consumaram o assassinato da nação helênica, que Filipe da Macedônia iniciara; absorveram o Cristianismo, com a aliança de Constantino, que criou a Igreja Católica, mas o afastaram de sua origem popular e revolucionária. Como sucessora do Império, a Igreja dominou a Idade Média e subjugou o Renascimento, com a Inquisição e a Contra-Reforma. Com Napoleão, os burgueses do diretório encabrestaram o Iluminismo e esvaziaram a Revolução Francesa.”
Mauro Santayana, Jornal do Brasil
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