Como derrubar notícias e abortar debates

“Fala pouco o ministro da Comunicação Social, jornalista Franklin Martins. Fala pouco, porém atua muito – é um dos mais influentes na esfera palaciana.

Na sexta-feira (25/4) participou dos debates da Conferência Nacional de Comunicação, promovida pelo PT, e pronunciou-se claramente sobre questões muito importantes: criticou o governo no tocante às rádios comunitárias, criticou os petistas que se agarram ao discurso de enfrentamento com as empresas de comunicação, e criticou a concentração da mídia na mão de poucas empresas.

Um prato cheio, se não houvesse a deliberada intenção de minimizar o que o ministro disse. Os jornalões paulistanos cobriram o evento, mas no dia seguinte preferiram publicar resumos irrisórios.

Sabe-se que a mídia não gosta de se ver no espelho. Agora ficou evidente sua má vontade com o ex-comentarista político da TV Globo. Má vontade tornada patente antes mesmo que assumisse formalmente o cargo no Planalto. Pode ser represália às anteriores tiradas antimídia do presidente da República ou antipatia corporativa a uma estrela do jornalismo que preferiu trocar de lado. À primeira vista, quem sai perdendo são os leitores; prejuízo maior é dos jornais que cobriram a fala do ministro e a derrubaram sem cerimônias.”
Alberto Dines, Observatório da Imprensa
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