O terceiro mandato

“Poucos brasileiros, ao longo de nossos cinco séculos, tiveram tantos motivos para orgulhar-se de sua biografia quantos os tem o atual presidente da República. Não por ter nascido na pobreza, porque outros vitoriosos dali vieram, nem por lhe faltarem as letras universitárias, também ausentes em grandes homens. É todo um conjunto de circunstâncias, adversas umas, favoráveis outras, que o fizeram privilegiado. Ao deixar o Palácio da Alvorada, no primeiro dia de 2011, o torneiro mecânico Luiz Inácio da Silva poderá regressar a Santo André ou ao sertão pernambucano, bem como manter-se, como cidadão, em atividade política e, depois de quatro anos, autorizado pela Constituição em vigor, tentar o retorno.

São essas as regras do jogo, e elas teriam sido mais democráticas se seu antecessor não houvesse desrespeitado o mandamento republicano de 1891, repetido em todas as constituições que se seguiram, e compreendido como cláusula pétrea, que proibia a reeleição. Segundo alguns, sob ordens do Império - que ele recebeu com prazer - Fernando Henrique "cavou" a emenda da reeleição da forma que se conhece, a fim de ter o tempo necessário para as reformas exigidas pelo Consenso de Washington.”
Mauro Santayana, Jornal do Brasil
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