"O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente licenciado do Senado, segue à risca a máxima criada na cidade comandada pelo filho em Alagoas: "Em Murici, cada um cuida de si". E o político alagoano tratou de cuidar de seu futuro sem precisar de aliados, que nem sempre o são. Decidiu renunciar ao cargo depois de um acordo fechado no dia 15 de outubro, numa conversa que envolveu caciques do PSDB. Os tucanos, cuja bancada tem 13 nomes, hoje são fiéis da balança no Senado para votações importantes. Comprometeram-se a ajudar Renan a salvar o mandato, desde que deixasse a cadeira. O senador aceitou. Mas o partido cobrou ainda outro preço, que foi pago oito dias depois: o arquivamento da denúncia do PSOL contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), no caso do famigerado "mensalão mineiro".
No dia 23, a Mesa Diretora arquivou o pedido de investigação protocolado pelo PSOL. A presidente do partido, a ex-senadora Heloisa Helena, havia comparecido ao Senado para fazer barulho. Em vão. Mesmo com todo o cuidado na sustentação da denúncia, os socialistas esbarraram no acordo que salvou Renan. No acordão, o senador não deixou barato e também cobrou um preço. O próximo presidente da Casa dever ser um nome indicado por ele. A sucessão vai acontecer antes de a CPMF entrar em pauta.”
Leandro Mazzini, Jornal do Brasil
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