Tucanoduto: “Homem de bem” & "oportunidade isonômica"

"O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), defendeu hoje o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), suspeito de utilizar caixa dois nas eleições ao governo do Estado em 1998. Segundo a Polícia Federal, Marcos Valério de Souza operou um esquema de financiamento da campanha de Azeredo e aliados.

"Minas Gerais conhece muito bem o senador e ex-governador Eduardo Azeredo, que é um homem de bem", disse Aécio em entrevista coletiva.

O governador de Minas também mencionou o mensalão, esquema utilizado no governo Lula para arrecadar recursos e repassar a aliados.

Aécio disse que há uma "diferença muito grande" entre a estratégia utilizada por petistas e as suspeitas sobre Azeredo. Marcos Valério é suspeito de atuar nos dois esquemas.”
Agência Folha
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Comentários

Anônimo disse…
Nogueira, concordo com Aecio.A diferença entre os esquemas é monumental: o do PSDB foi abastecido com 90% de recursos públicos.
Anônimo disse…
Vai abaixo artigo do repórter Elio Gaspari (assinantes da Folha):







“Se o ministro da Articulação Política do governo fosse um petista saído do movimento sindical, o céu já teria desabado sobre Brasília.



Imagine-se um companheiro metido numa reunião para definir a arrecadação da caixinha eleitoral de um candidato que acabou derrotado na eleição de 1998. Some-se um empréstimo pessoal feito por esse mesmo petista ao candidato, depois de sua derrota. Walfrido Mares Guia fez tudo isso, mas o tucanato trata o assunto com um silêncio retumbante, indicador do oportunismo com que manipula a moralidade alheia.



Mares Guia não é um sindicalista, mas próspero empresário; não está no ABC, mas na plutocracia mineira; não se meteu na campanha dos companheiros, mas na do então governador Eduardo Azeredo, que viria a ser presidente do PSDB. Sua praia é outra, a do tucanato que considera falta de educação tratar das maracutaias do andar de cima.



A principal gracinha propagada pelos defensores de Eduardo Azeredo é a teoria do "não sabia". Se ele não sabia que sua campanha era azeitada por recursos tungados à Viúva e entregues a Marcos Valério, qualquer tentativa de associá-lo à roubalheira é injusta. Afinal, Lula diz que não sabia das mesmas trambicagens, praticadas quatro anos depois pela direção do PT com o mesmo Marcos Valério. Nas palavras da assessoria do tucano: "As questões financeiras da campanha não foram de [sua] responsabilidade".



Seria um caso clássico de dois pesos e duas medidas. Todavia, o argumento é falso. Para que fosse verdadeiro, precisaria aparecer um empréstimo pessoal de R$ 511 mil, feito por Lula junto a um petista amigo que participou da coordenação de sua campanha. (Em 2003, Paulo Okamotto, atual presidente do Sebrae, pagou uma conta de R$ 29 mil de Lula, mas não esteve na banca petista de 2002.) Isso não permite sugerir que Lula não sabia dos malfeitos de Delúbio Soares, ou que não sabe de onde veio o dinheiro de Okamotto. Indica apenas que não se acharam as suas impressões digitais. No caso de Azeredo, elas estão lá, no empréstimo de Mares Guia.



Quando um petista é confrontado com as mutretas de seus companheiros, se enraivece e atribui a referência a algum tipo de conspiração elitista. Quando um tucano fica na mesma situação, ofende-se e corre para a blindagem do silêncio. Assim desconversou-se em 2000, quando apareceram as planilhas da segunda campanha de FFHH. Elas indicavam um caixa clandestino de pelo menos R$ 8 milhões. Uma parte desse dinheiro passara pela destilaria de Marcos Valério, cuja tecnologia financeira foi adquirida pelo PT na eleição seguinte.



Vice-governador de Eduardo Azeredo, ministro de Lula, Mares Guia é uma encruzilhada de gentilezas. Foi na sua vizinhança (e de Lula) que se disparou a demissão do engenheiro Dimas Toledo de uma diretoria de Furnas. Essa foi a faísca que incendiou os sentimentos do deputado Roberto Jefferson e a crise do mensalão.



O PT já buscou a indulgência de seus crentes com a teoria do "fizemos-o-que-todo-mundo-faz". A novidade no desdobramento das investigações do mensalão tucano está na paralisia mental do PSDB.



O comando tucano diz que vai discutir a situação de Azeredo. Vai nada. Se falasse sério, teria feito isso há dois anos. Correm atrás do prejuízo que poderá advir de uma denúncia do procurador-geral da República contra o ex-governador.”

Escrito por Josias de Souza às 03h25
Anônimo disse…
O mensalão do PT também foi abastecido com 90% de recursos públicos - Banco do Brasil, Correios etc. Portanto são semelhantes os valores do PT é que são muito maiores.
Anônimo disse…
Mares Guia também disse que o Azeredo é um homem de bem. Isto não merece destaque porque Mares Guia é ministro do Lula. É uma total falta de coerência.