“Os pessimistas que me perdoem, sei que ainda há muito o que fazer, mas vislumbro um futuro promissor para o país. Isso, claro, se os engenheiros da destruição e os sabotadores encastelados na grande imprensa, e até mesmo no Banco Central, deixarem.
Se você é um sujeito de classe média, como eu, mas com a agravante condição de ser leitor ou assinante da Folha de S.Paulo, do “Estadão” ou do Globo, e leva a ferro e fogo o que (des)informam esses veículos, todos os dias, aos seus olhos, são pardacentos, frios, chuvosos, tenebrosos até. Tudo lhe parece estar irremediavelmente perdido. O pessimismo já lhe deixou cético e prostrado. Você vive imerso num desalento que imobiliza. Já não tem entusiasmo para muita coisa. Já não acredita nos homens, já não acredita em mais nada – tornou-se um cético empedernido. Talvez por isso nem acredite, se eu lhe disser, que você pode enxergar a realidade que lhe cerca com outros olhos – e não com os olhos dos outros. Talvez, quem sabe, se você tentasse, ao menos, limpar um pouco as lentes com as quais enxerga o mundo. Quem sabe enxergasse as coisas de modo um pouco diferente.
Tenho observado ultimamente, com uma dose de apreensão e preocupação, um clima de intolerância que pouco a pouco vai se instalando, sorrateiro, na sociedade. Algumas pessoas estão mais agressivas, se irritam por pouco – na linha “pavio curto”. Lembram do filme “Um dia de fúria”, com Michael Douglas no papel principal? É por aí. Desconfio seriamente que esse clima é decorrente, em grande medida, dessa espécie de “comoção negativista” que certos (de)formadores de opinião martelam diuturnamente nos “jornalões” e nas TVs.”
Lula Miranda, Carta Maior
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