“A sentença da juíza da 1ª Vara Federal Solange Salgado, que mandou investigar em 120 dias o paradeiro dos guerrilheiros desaparecidos no Araguaia, aflorou uma crise latente entre o governo e a área militar. A decisão do governo, anunciada na última semana, de cumprir, sem hesitação, a decisão da Justiça, que determinou ainda a tomada de depoimento, pelas autoridades, dos militares que participaram dos confrontos mais sangrentos, caiu como uma bomba na caserna. Oficiais que participaram da caçada aos guerrilheiros do PC do B no Araguaia se recusam a colaborar com o governo Lula na localização dos restos mortais dos 58 ativistas que desapareceram entre 1972 e 1975. A reação é feroz.
- Se baterem na minha porta com um martelo, passo fogo. Respondo à bala - diz o coronel Lício Ribeiro Maciel, um dos oficiais da linha de frente da repressão, responsável pela prisão e morte de vários ativistas do PC do B na região do Araguaia.”
Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil
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Trauma da guerrilha persiste
“O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, ouviu os depoimentos de cerca de 150 agricultores em São Domingos do Araguaia no último final de semana e disse que a população conserva traumas da guerrilha. Cultiva também o medo do coronel Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, o nome mais famoso da repressão na região.
Abrão contou que vários moradores forneceram detalhes sobre nomes de guerrilheiros e possíveis locais onde teriam sido enterrados, cuja lista ele encaminhará, mais tarde, à Comissão de Mortos e Desaparecidos da Secretaria Especial de Direitos Humanos, que cuida oficialmente das buscas.”
Vasconcelos Quadros, Jornal do Brasil
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