“O mundo do coletivo está em declínio. Nós seguimos à deriva do abandono da política. Mas há arquipélagos de resistência nesse oceano de devastação e poluição abstencionista.
“Eu detesto política” – quem nunca escutou essa frase que atire a primeira pedra. É, existem pessoas que pensam assim. Pode não ser o meu caso – ao contrário! Tampouco, certamente, o seu, prezado leitor. Mas essa é uma frase assim mesmo, curta e grossa e, sem dúvida, ouve-se bastante por aí – curta e grossa, principalmente, se aquilatamos a pobreza de sentido de tudo que lhe é subjacente e imanente. E tem gente que fala isso até com certa empáfia/jactância, como se estivesse falando a coisa mais sensata e inteligente do mundo.
Muitas pessoas falam sem pensar e algumas agem sem pensar – outras (muitas) até vivem sem exercer essa atividade tão singular e própria aos de nossa espécie. Se refletissem perceberiam que, como já dizia Bertolt Brecht no poema “*O* *Analfabeto Político*” [aliás, nunca é demais recomendar a leitura desse autor: leiam-no, assistam suas peças, sempre que possível], o analfabeto político é aquele que “não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos./Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,/ do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio/dependem de decisões políticas. (...) que da sua ignorância política nasce a prostituta/ o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista”.
Lula Miranda, Carta Maior
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