“Decisões do Supremo Tribunal Federal estão na berlinda. A conversa telefônica do ministro Ricardo Lewandowski num restaurante de Brasília, anotada por repórter da Folha de S. Paulo, vai dar o que falar, dentro e fora do tribunal.
Desta vez não há o que reclamar: o ministro do STF estava num restaurante, recebeu ou fez uma ligação em celular, para ou de uma pessoa identificada como Marcelo. No recinto, em outra mesa, estava uma repórter (Vera Magalhães) da Folha de S. Paulo, que ouviu a conversa, e a reproduziu no jornal. Não há o que reclamar, mas há o que observar. Big Sister têm ouvidos em toda a parte.
O ministro era Ricardo Lewandowski, aquele cuja conversa eletrônica com sua colega Carmen Lúcia foi “grampeada” fotograficamente pelo repórter de O Globo, onde teceram comentários sobre a denúncia então examinada, sobre a indicação de novo jurista para o Supremo (que afinal se concretizou, a de Carlos Alberto Direito).
Na conversa telefônica de 29 à noite, publicada nesta quinta-feira 30 de agosto, o ministro do STF afirma que os juízes do tribunal foram “acuados” pela imprensa (a divulgação da conversa), que votaram “com a faca no pescoço”. Na própria quinta-feira o ex-deputado José Dirceu, um dos acusados na denúncia do Procurador Geral da República, disse em entrevista coletiva que as afirmações de Lewandowski punham em suspeição o resultado favorável à denúncia no Supremo. Ao mesmo tempo, dois outros ministros, Carlos Ayres Britto e Gilmar Mendes, negaram ter votado “com a faca no pescoço” (ambas as notícias na Folha on-line de 30/08, e a primeira também no Estadão on-line).”
Flávio Aguiar, Carta Maior
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