“Primeiro, foi o apagão aéreo - uma combinação semântica um tanto esdrúxula, híbrida da insuficiência de produção de energia elétrica de 2001 com a suposta inoperância do governo federal em resolver os problemas aeroportuários. Agora, a palavra-chave da cobertura dos sucessivos casos ligados à aviação é "caos". Ainda que longe da metafísica (sou um ignorante no assunto), é preciso refletir sobre o uso excessivo dessa palavra na nossa imprensa, escrita, em rádio, televisão e web. Penso que se palavras pudessem dirigir-se ao balcão de reclamações, "caos" seria a primeira a se queixar do uso indevido.
Depois de meses de cobertura, há que se perguntar o quanto o jornalismo, de fato, cumpriu sua função social que é, noticiando o que se passa no setor, pressionar para que as mudanças sejam implementadas. Fora a lentidão da tomada de decisões pelos órgãos competentes, a situação nos leva a questionar o rumo de sua cobertura, a abordagem, o foco, e todas aquelas lições que qualquer estudante de jornalismo de 1o semestre deve saber para passar de ano.”
Rodrigo Manzano / Portal Imprensa
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