“Parece às vezes que desperto
E me pergunto o que vivi;
Fui claro, fui real, é certo,
Mas como é que cheguei aqui?
E me pergunto o que vivi;
Fui claro, fui real, é certo,
Mas como é que cheguei aqui?

Uma assombrosa lucidez
Em que como outro a gente está.
Estive ébrio sem beber talvez.
E de aí, se pensar, o mundo
Não será feito só de gente
No fundo cheia de este fundo
De existir clara e èbriamente?
Entendo, como um carrocel;
Giro em meu torno sem me achar...
(Vou escrever isto num papel
Para ninguém me acreditar...)”
Não será feito só de gente
No fundo cheia de este fundo
De existir clara e èbriamente?
Entendo, como um carrocel;Giro em meu torno sem me achar...
(Vou escrever isto num papel
Para ninguém me acreditar...)”
Fernando Pessoa / Arte: Roberto Magalhães
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