“O sonho a quem dele precisa
O movimento estudantil que vem sessentaeoitizando São Paulo exala o bom aroma de Trident tutti-frutti, e tem aquela cara libidanárquica dos personagens de Os Sonhadores, de Bertolucci. Nas fotos da reitoria ocupada da USP, vejo ali Matthew, Isabelle e Théo, os ocupantes do apartamento vazio, os neófitos sinestésicos do mundo recontado no cinema. E tem um elenco parecido de coadjuvantes: mães que procuram compreender o incompreesível, docemente resignadas a prover de agasalhos os filhos rebeldes.
A maior virtude deste acampamento lúdico, ainda que sério-seríssimo, foi abrir a janela da universidade, permitir que seus donos vissem dentro dela. Castelo do particular populorum progressio imaginado pela elites quatrocentonas, de tantos filhos ilustres, de tantas sabedorias e de tantas invenções, a USP converteu-se também num reduto de mangustos de nariz empinado, sofistas de bom salário e escudeiros do neoliberalismo privateiro.”
Walter Falceta Jr. / Novae
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