E se...

"...de repente, não mais que de repente, o documento que reconhece a Independência do Brasil desaparecesse da Torre do Tombo, em Portugal, se é que ele está lá? Falo daquele, que, em agosto de 1825, permitiu que fôssemos reconhecidos como nação soberana, mediante o pagamento de uma indenização de dois milhões de libras, das quais Portugal nem viu a cor, pois foi diretamente para os cofres ingleses, seus credores e, a partir daí, nossos também, pois, eles nos emprestaram essa soma. Que “rolo”...

Bem... Se analisarmos a Guerra da Independência, veremos que, embora tenhamos conquistado o domínio territorial, não fomos reconhecidos internacionalmente, porque a Santa Aliança (que incluía soberanos europeus, exceto: Grã-Bretanha, Império Otomano e Vaticano) era contra a emancipação das colônias. Isso não quer dizer que os não-signatários eram contra a colonização (no caso dos britânicos e otomanos, muito pelo contrário!); eles apenas não quiseram ou não foram convidados a assinar o pacto. O pagamento da indenização equivaleu, então, a uma “carta de alforria”, no mínimo, curiosa, pois, o mesmo acordo que nos “deu a liberdade” concedeu a D. João VI do título de Imperador Honorário do Brasil! Não bastasse isso, nosso primeiro mandatário e “Defensor Perpétuo”, D. Pedro I, logo após abdicar do trono brasileiro, em 1831, voltou a Portugal para reivindicar seus direitos de primogênito: primeiro na linhagem de sucessão do falecido D. João VI, contra os interesses de seu irmão, D. Miguel... Ou seja: D. Pedro I proclamou a Independência do Brasil, fez guerra contra as tropas das Cortes lusitanas e apesar de tudo isso ainda encontrou, lá, aliados para combater e vencer seu irmão e assumir, embora por um curtíssimo período, o Reino de Portugal, com o título de D. Pedro IV! Em suma, ele deu uma de “migué” no irmão...”
Adilson Luiz Gonçalves / Duplipensar
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