Destino de Renan depende da mídia

“Se o Senado fosse um teatro, e a sessão de ontem, um espetáculo, seria o caso de dizer que o primeiro ato consistiu na tentativa do protagonista Renan Calheiros de transformar, por um passe de mágica, a história de uma ligação suspeita com um lobista de empreiteira numa história de exploração malévola de sua ligação extra-conjugal com uma jornalista.

O segundo ato foi a troca de cartas marcadas entre o presidente da casa, o próprio Renan, e o líder da bancada do partido de ambos, o PMDB, Romero Jucá. Assim que o “amigo de 20 anos” do lobista terminou de falar, o correligionário se apressou a lhe pedir que suspendesse a sessão, no que foi prontamente atendido. Assim, se evitou que alguma excelência, mesmo no afã de se solidarizar com o suspeito, dissesse da tribuna ou do microfone de apartes alguma inconveniência que pudesse perturbar o show em curso.

E assim se abriu o caminho para o terceiro ato – e o fecho glorioso do dia: pressurosos senadores fazendo fila para cumprimentar o político alagoano que armara o jogo de cena de se apresentar como um Clinton brasileiro, confessando o seu affair com outra Mônica – a Veloso, não a Lewitsky – mas continuava a ser o Calheiros amigo também “há 20 anos” do empreiteiro Zuleido, navalhado pela Polícia Federal na condição de chefe de uma sofisticada organização criminosa, como diria o procurador-geral da República em outro contexto.”
Luiz Weis / Observatório da Imprensa
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