Venda de sentenças é pior que no velho oeste

“A venda de sentenças judiciais no Brasil favorecendo donos de bingos e de máquinas caça-níqueis é pior do que as negociações de decisões de juízes típicas do período da conquista do Oeste dos Estados Unidos, no século 19. Os empresários que enchiam os bolsos de juízes e de políticos em troca de sentenças e de leis favoráveis aos seus interesses tinham também objetivos produtivos. Visavam, com as facilidades obtidas por meio da corrupção, alavancar os seus investimentos em canais, ferrovias, linhas de barcos a vapor, minas, poços de petróleo e indústrias decisivos ao progresso do país. Já os donos de bingos e de máquinas caça-níqueis do Brasil não têm outro objetivo além do seu próprio progresso material, proporcionado pela dissipação de recursos de aposentados, viciados em jogo e desavisados em geral.

Especuladores e empresários como Daniel Drew, Cornelius Vanderbilt, Jay Cooke, Jay Gould, Collis Huntington, Leland Stanford, Philip Armour, J. P. Morgan, John D. Rockefeller e Andrew Carnegie, entre outros, eram apontados como ladrões e manipuladores de juízes americanos em favor dos seus interesses. Ao mesmo tempo, eram vistos como úteis ao desenvolvimento do país, em um período em que a sociedade ansiava pelo progresso econômico. No caso dos donos de bingos e de máquinas caça-níqueis brasileiros, detaca-se a ausência total de qualquer resultado produtivo da atividade para a sociedade.”
Carlos Drummond / Terra Magazine
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