"Pressão não me intimida"

“O médico Arlindo Chinaglia Júnior é um político diferente. Nos anos 70 do século passado, quando jovem residente num hospital de Taguatinga, periferia de Brasília, dizia a todos que se chamava Neto para fugir da ditadura. Hoje, aos 57 anos, presidente da Câmara dos Deputados, ele continua refratário a revelar seu paradeiro (ou o que vai fazer). “Ninguém sabe com quem eu me reúno ou com quem almoço”, rejubila-se. Essas excentricidades estão provocando queixas de seus pares. Tido como alguém que diz tudo o que pensa e não dá muita atenção à diplomacia, ele resolveu, numa das suas primeira medidas à frente da Câmara, marcar sessões deliberativas às segundas-feiras. Pressionado agora, ele recuou das sessões às segundas. Pelos corredores, alguns deputados ainda reclamam do seu temperamento. O homem que chegou à presidência da Câmara há apenas três meses cheio de promessas e de boas intenções vê sobre si o peso da corporação que dirige. Alguns de seus planos estão caindo. Mas outros estão vindo por aí. Na entrevista abaixo, Chinaglia adianta que vai comprar outras brigas.

ISTOÉ – Por que o sr. agora resolveu comprar também uma briga com os jornalistas, tirando o Comitê de Imprensa de perto do Plenário?
Chinaglia – Não decidi comprar briga alguma, falo com a imprensa em média quatro vezes por dia. Mas, quando assumi a presidência, recebi estudos referentes a todas as ocupações de espaços na Câmara. O local onde estão os jornalistas, segundo o projeto original de Oscar Niemeyer, não deveria ser ali. Não fui eu quem inventou, vão brigar com o Niemeyer. E escrevam que ele é um arquiteto pífio porque pensou mal a estrutura da Câmara. Os jornalistas querem é iniciar uma operação abafa.

ISTOÉ – Como assim?
Chinaglia – Quando os jornais publicaram esse assunto antes de ele entrar na pauta oficial da Mesa da Câmara, tentaram abafar sua discussão. Isso é pressão. Mas é bom que se diga: isso não me intimida, pressão não me intimida. É claro que eu admito pressão, mas que ninguém se iluda que isso me tirará o ânimo de fazer o que for julgado melhor. Daí é que talvez venha a idéia de que gosto de confronto. Eu apenas zelo para que cada um cumpra bem o seu papel. Portanto, a presidência da Câmara não será exercida por ninguém da imprensa. Será exercida por mim e pronto!”
Hugo Studart / ISTOÉ
Entrevista Completa, ::Aqui::

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