“O último que disse que uma CPI não ia dar em nada se deu tão mal – o então ministro Jorge Bornhausen, a respeito da CPI do PC – que, nesses últimos quinze anos, ninguém teve coragem de repetir a frase, pelo menos publicamente. Ao longo desse período, houve muita CPI que não deu em nada – assim como outras tiveram efeitos devastadores. De modo geral, os governos sempre trabalharam contra e as oposições a favor. O resultado depende da competência política dos dois lados mas, sobretudo, da conjuntura.
Há semanas o Planalto vinha se preparando para um resultado desfavorável no STF no julgamento do recurso que pedia a instalação da CPI do Apagão Aéreo. Não era novidade nenhuma que, lá na origem, os governistas haviam cometido o erro básico de tentar barrar a CPI no plenário em vez de terem organizado sua base para retirar oportunamente as assinaturas do requerimento que a criava. Isso agora, porém, são águas passadas, bem como a estratégia de ganhar tempo no próprio STF, que morreu depois que a oposição obteve as assinaturas necessárias para, na falta da comissão na Câmara, instalar uma no Senado.”
Helena Chagas / Carta Congresso
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