“No principal editorial de domingo, "O Globo" tentou apresentar-se de novo ao leitor como bastião da liberdade de imprensa, a pretexto de defender a concessão da RCTV - rede venezuelana de TV que participou em 2002 do golpe para depor o presidente eleito e reeleito com a maioria esmagadora dos votos. Escorraçados dois dias depois, os golpistas só tiveram tempo de fechar o Congresso e a Justiça.
O passo seguinte deles, claro, seria calar a imprensa de oposição, como antes ocorrera em todos os golpes como aquele, teleguiados de Washington para impor ditaduras sanguinárias à América Latina. A de 1964 no Brasil transformou "O Globo", seu cúmplice e porta-voz oficioso, no grande império de mídia do país. E a do general Pinochet no Chile fez o mesmo com o grupo "El Mercurio".
Não por coincidência a acusação de "O Globo" agora ao presidente venezuelano Hugo Chávez é a mesma de 1973 ao presidente chileno Salvador Allende. E graças à liberação de documentos secretos da CIA e da diplomacia dos EUA, hoje sabemos que o côro da mídia continental a favor do "El Mercurio", a pretexto de ameaça à "liberdade de imprensa", era parte dos preparativos da CIA para o golpe.”
Argemiro Ferreira / Tribuna da Imprensa
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