A praga social e a questão da intolerância

“O papa Bento 16 em sua exortação apostólica sacramentum caritatis denominou o segundo casamento de praga social. Ao contrário do consensus humani generis sedimentado através os séculos, Sua Santidade não se referiu à peste, à fome e à guerra, os flagelos, as verdadeiras pragas que, ainda hoje, afligem a humanidade. Tampouco se referiu o papa Bento 16 à tirania internacional, fenômeno que, nos dias atuais, determina a triste sorte da maior parte da população global, relegada à miséria e à desesperança.

Ao fazer um diagnóstico errôneo sobre a realidade social e moral do mundo hodierno, por ignorar o óbvio, promover o preconceito e repudiar a tolerância, o papa Bento 16 comprometeu irremediavelmente as premissas éticas de sua exortação, pelo seu falso julgamento ou, como diria o grande filósofo iluminista francês, Voltaire, esprit faux.”
Durval de Noronha Goyos / Última Instância
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