“A forma pela qual o governo Lula conseguiu sair do cerco político acabou dando-lhe condições de abrir uma janela para sair do cerco financeiro. Não existe mais o eixo de poder absoluto que ligava Fazenda e BC. O jogo está mais equilibrado e o investimento é protagonista.
Todo PACOTE tem uma metade PAC e outra metade OTE. De um lado, um Programa de Aceleração do Crescimento. No verso, uma Outra Tentativa de Embromação. É assim desde a época do Delfim – pelo menos. Um conjunto de medidas articuladas, seja para conter a inflação, promover um ajuste fiscal, enfrentar o racionamento de energia, reduzir a vulnerabilidade externa, eliminar gargalos de logística ou estimular investimentos privados. Mas sempre associado a um forte apelo psicológico para a sociedade comprar o risco de uma aposta.
Assim como outras tentativas anteriores, como Avança Brasil e Plano Plurianual de R$ 1 trilhão no governo FHC, e as Parcerias Público-Privadas do governo Lula, o PAC também tem seu lado OTE, que acaba virando panacéia. Se for bem-sucedido, como o Plano Real, entrará para a história. Sem não for, ficará perdido no aterro de insucessos, como tantas outras panacéias. Mas, não dá para negar que a estratégia política que carrega o PAC é tão ousada quanto a engenharia do Plano Real que eliminou a memória da inflação criando uma moeda paralela, chamada URV – a Unidade Real de Valor.”
Nelson Breve / Carta Maior
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