O xadrez político

“Começam a ganhar velocidade as articulações para as disputas pelas presidências da Câmara e do Senado. São batalhas cruciais para o jogo político nos próximos dois anos.

Dependendo do seu desfecho, Lula terá maiores ou menores possibilidades de manter a iniciativa até as eleições municipais de 2008. Basta olhar o passado recente para se dar conta disso.

Foi com a eleição de Severino Cavalcanti para o comando da Câmara, no início de 2005, que a crise da segunda metade do governo Lula virou bola de neve rolando ladeira abaixo. E a mesma crise somente começou a amainar quando, defenestrado Severino, a oposição quis dar um passo maior que suas pernas e foi derrotada na tentativa de emplacar um pefelista na presidência da Câmara. A eleição de Aldo Rebelo, no final de setembro, permitiu ao governo sair das cordas e retornar ao centro do ringue.

Se estiver unida, a base governista não terá maiores dificuldades para eleger o presidente da Câmara. Em tese, há três possibilidades. A primeira é a que obedece à tradição: o PMDB, maior partido na casa, indica o novo presidente. Os nomes mais fortes são os dos deputados Geddel Vieira Lima (BA) e Eunício Oliveira (CE). Geddel é um neo-lulista. Fez oposição ao presidente até o ano passado, mas, desde o primeiro momento da campanha eleitoral, apoiou Lula, tendo sido um aliado importante de Jaques Wagner na Bahia. Já Eunício, ex-ministro das Comunicações, foi um dos principais líderes da ala governista do PMDB nos últimos anos.”
Flanklin Martins / Último Segundo

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