
por Fernando Brito, Tijolaço -
O presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, Marcelo Ramos, reclamou publicamente de que Jair Bolsonaro tenha ido pessoalmente hoje à Câmara para entregar o projeto que estende para 10 anos a validade da Carteira Nacional de Habilitação para motoristas.
A tradução: ele e os depputados da Comissão estão reclamando que o governo não lhes esteja dando atenção no momento em que se prepara a votação da questão que o próprio governo erige como seu principal – ou único – projeto para o país.
O relator, Samuel Moreira, já avisou que só na semana que vem apresentará seu relatório. Ainda que o faça na sessão de terça-feira, dificilmente se começará a votar na quarta ou na quinta. É provável que o pedido de vista regimental venha na quarta-feira e só se reabra a discusssão na quinta, e olhe lá. A outra semana tem feriado (Corpus Christi, no dia 20).
Na emenda Michel Temer, com 166 emendas e farta maioria, levou-se 20 dias da apresentação do relatório até o final da votação de emendas.
Votar as 277 emendas apresentadas, várias delas propícias a manifestação de categorias profissionais, em três ou quatro sessões até o final do mês?
Acredite nisso quem quiser devanear.
Vai se desenhando, assim, o balé da protelação que, a esta altura, parece estar sendo a forma de se expressar o descontentamento com o governo.
Bolsonaro, com seus gestos, o ajuda, como bem observa Helena Chagas n’Os Divergentes:
O risco de Bolsonaro é que, de tanto
tratar de pautas supérfluas, acabe, ele próprio, se tornando supérfluo. É
só olhar em volta. As principais lideranças do Legislativo, de governo e
de oposição, os empresários, os governadores, as centrais sindicais, os
estudantes, estão todos tratando de assuntos mais importantes, que vão
da Previdência aos cortes no orçamento da Educação.
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