Suplicy: ação da Polícia Militar foi abusiva

Sarah Fernandes, Rede Brasil Atual 

O secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Eduardo Suplicy, considerou “um tanto abusiva” a atuação da Polícia Militar nos dois últimos atos contra o aumento da tarifa do transporte público (de R$ 3,50 para R$ 3,80), organizados pelo Movimento Passe Livre (MPL), na capital paulista. O terceiro protesto ocorre na tarde de hoje (14), no Largo da Batata, na zona oeste, e diante do Teatro Municipal, na região central.

“Pelas imagens e pelo que vi da janela do meu gabinete da manifestação de sexta (8), quando vi o lançamento de bombas sobre centenas de pessoas com o risco de feri-las, acho que ação da Polícia Militar foi um tanto abusiva”, disse Suplicy durante reunião entre a secretaria, a prefeitura e o Ministério Público (MP). Os integrantes do MPL não compareceram ao encontro, que ocorreu na manhã de hoje, na sede do MP, no centro da cidade.

O primeiro ato do MPL terminou em uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e viaturas policiais a toda velocidade pelas ruas do centro de São Paulo, e com várias pessoas detidas e feridas – inclusive policiais. O MPL estimou que 10 mil pessoas participaram da manifestação.

Mais violento, o segundo ato, na terça-feira (12), também foi reprimido pela Polícia Militar, que lançou uma bomba de efeito moral da cada sete segundos contra os manifestantes, como contabilizou o jornal O Estado de S. Paulo com base em um vídeo divulgado no Facebook pelo coletivo Território Livre. Durante pelo menos cerca de 30 minutos, a PM encurralou os manifestantes e iniciou um bombardeio na Avenida Paulista. A PM perseguiu os manifestantes pelas ruas do entorno, que também estavam cercadas. Os ativistas alcançados eram agredidos com golpes de cassetete.

A organização Conectas Direitos Humanos calcula que pelo menos 28 pessoas ficaram feridas. Uma gestante fraturou a costela e um estudante teve uma fratura exposta após ser atingido por um estilhaço de bomba. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), nove jornalistas foram agredidos pela polícia.

“Considero da maior importância essa tentativa de diálogo que o prefeito fez questão de estipular, tendo convidado o MPL e todos manifestantes para se verificar aquilo que está na Constituição (direito à livre manifestação) possa ver assegurado. Na Constituição também está escrito que o manifestante devem comunicar às autoridades quais os roteiros que serão seguidos”, completou Suplicy.

O secretário Especial de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Rogério Sottili, também criticou a atuação da PM, em sua conta no Facebook. Ele considerou que as cenas de violência registradas pela imprensa são “chocantes, inaceitáveis, e não condizem com a atuação esperada das polícias no Estado democrático de direito”.

“A naturalização da violência, seja ela explícita ou invisível, seja em manifestações de rua ou no cotidiano, não deve ser aceita nunca. O Estado deve atuar na mediação e prevenção de conflitos, e ter como premissa máxima a preservação da integridade dos seus cidadãos e das suas cidadãs”, afirmou Sottili.

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