Crise contínua, eleição sem fim e poder sem voto: o Ano Novo da velha direita

Fernando Brito, Tijolaço 

A direita brasileira, agora que seu pragmático amor por Eduardo Cunha se tornou um estigma posto à sua testa, está de novo amor.

Em lugar do decaído Presidente da Câmara, que pôs em marcha um processo de impeachment que o lamaçal  em que está metido seu autor deixou a manobra com evidente imundície e exalando seu odor fétido, o coração tucano suspira por  dois novos personagens: Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Explica-se: os dois são as chaves da estratégia de continuar mantendo em aberto o processo eleitoral de 2014 e, afinal, levar o PSDB ao poder contra o voto da maioria do povo brasileiro.

Ontem à noite, quando o Estadão começou a circular, tratou-se disso.
Hoje – e nada casualmente – a Folha embarca no tema.

Que, para não ser injusto, já há uma dezena de dias tinha sido antecipado em O Globo.

(se você quer saber dos males de se ter um partido único, pense na mídia brasileira)

O objetivo inicial é antes manter o país em um clima de incerteza e, com isso, incapaz de reagir na economia.

O segundo, de mais difícil consecução, é chegar ao poder sem os votos da maioria do povo brasileiro, sobretudo da multidão de gente pobre e trabalhadora que o compõe e que, quase instintivamente, sabe que são seus inimigos, mesmo debaixo de uma tempestade midiática.

Há, claro, um toque de humor imperdível na especulação da Folha. O advogado do PSDB diz que, “apesar de a jurisprudência em tese beneficiar Aécio, o grupo defende a realização de nova eleição em caso de cassação de Dilma e Temer”.

É de gargalhar: Aécio devolvendo a faixa?  Ou envergando-a e dizendo “eu não queria que fosse assim, mas já que veio….”? O doutor advogado tucano inicia 2016  como forte candidato a piadista do ano.

Isso, porém, não é o alvo imediato.

É verdade que mesmo que Mendes e Toffoli –  com os ódios tão evidentes que se estampam em seus rostos, perceptíveis a qualquer um que lhes assista a suas falas – consigam  construir uma maioria no TSE para o golpe judicial, será mais, muito mais difícil que pensem, hoje, que isso possa repetir-se no plano do Supremo Tribunal Federal, no óbvio recurso de uma decisão impensável como aquela.

O alvo primário é a política, para que não se consiga sair da espiral crise-ajuste-arrocho, sem a qual golpe algum prosperaria."

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