O playboy que não educou o filho Garnerinho

Playboy pai, playboy filho
Nathali Macedo, DCM

Há dois dias não valeria a pena falar sobre Alvaro Garnero e a ignóbil classe que ele representa, até que seu filho, Alvarinho – pôr o próprio nome no filho: clássico! – resolveu insultar ninguém menos que Chico Buarque de Holanda, nos chamando a atenção para essa parcela vergonhosa da elite brasileira.

Ele tem lutado bravamente contra o estigma de “playboy”. Ao que nos parece, depois do vergonhoso “Rei do Camarote” – como esquecer? – transmitir a imagem de bon-vivant está fora de moda. E nada mais típico desta classe do que querer a qualquer custo estar na moda.

Numa geração em que é possível forjar a própria imagem com a ajuda das redes sociais, até que seria fácil, para um homem como Garnero, livrar-se desta terrível fama, mas, francamente, ele não se ajuda – a começar pela descrição do empresário no site oficial de seu programa de viagens, 50 por 1 (logo abaixo de uma imagem dele próprio photoshopado e com o sorriso mais branco e artificial que se possa imaginar).

“Um Álvaro original | Um Álvaro muito criativo – Filho do empresário Mario Garnero e de Ana Maria Monteiro de Carvalho, Álvaro Garnero nasceu no Rio de Janeiro. Tendo sido já comparada a grandes dinastias do universo social da América e da Europa – como os Kennedy ou os Grimaldi – sua família possui uma larga tradição de prestígio e representatividade.”

Essa gente tem uma necessidade incompreensível de ressaltar a importância da própria família: é como se fosse preciso esfregar na cara de quem quer que seja o seu sangue azul.

A vergonha alheia não para. O texto de apresentação continua assim:
“Álvaro Garnero é formado em administração pela San Diego State e especializou-se com seu MBA na National University. Ele cresceu passando meses no sul da França, em férias com sua família, e morou durante 15 anos nos Estados Unidos, onde se casou e se tornou pai.

(…) Álvaro Garnero também é um empresário com importante expertise – e patrimônio – no ramo do entretenimento.”

Exposição de titulações acadêmicas como forma de diminuir a futilidade aparente por detrás dos 45 minutos diários de bronzeamento artificial, destaque para os anos vividos fora do Brasil – que tipo de Playboy não passa alguns aninhos nos Estados Unidos, afinal? – e o Gran Finalle: “um empresário de importante expertise – e patrimônio.”

Um homem de meia idade com pinta de galã, que usa 45 minutos do seu dia para se bronzear artificialmente – e sabe-se lá mais o quê para manter uma boa aparência – tem um longo currículo e belas modelos – mulheres lindas exibidas como treféus: típico, mais uma vez – e é dono do Café de la Musique, o ambiente mais caro e elitista de Trancoso – BA.

Eu posso imaginá-lo rodeado de belas modelos – que no dia seguinte não se lembrarão o seu nome – tirando selfies em lanchas luxuosas enquanto fala de política com o que aprendeu (?) na Veja e comenta com um amigo sobre o novo e revolucionário método de suplementação para manter-se a cara da geração saúde.

Garnero é o típico coroa-tudo-em-cima, com muito dinheiro e nenhuma cultura, que agora se arrepende da imagem de futilidade que sempre transmitiu – desculpe, amigo: receio que seja tarde demais.

Ninguém precisa vê-lo gastar uma fortuna em camarotes e bebidas que piscam para compreender que Garnero é o mais típico representante desta classe cafona em franco declínio. Basta uma passadinha pelo seu Instagram – que se resume a belos lugares, belas mulheres e piadas de mau-gosto – ou ler o release de seu programa de TV.

Ele quer nos convencer de que ‘nunca foi playboy’ enquanto posa bronzeadíssimo em uma lancha – com uma frase de auto-ajuda na legenda – e educa um filho para envergonhar a juventude brasileira ao insultar Chico Buarque.
Garnero, assim não dá pra te defender.

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